Da boca vêm as substâncias da nossa coerência:
Palavras e beijos em constante redundância
Nossa tão breve e íntima e tácita sincerância
Fazendo de nós corpos vivos em pura culminância
Das coisas poucas a não se fazer questionância
A menos justificável é essa querência toda
Que mora na transparência dos nossos olhos;
Desses olhos que se olham com veemência
Sua boca me chamando
Sua boca sorrindo
Sorrindo seus dentes proporcionais
Acomodando a sua plácida língua
Sua boca filosofando
Sobre alguma míngua da existência
Dizendo algo irônico
Criticando uns hábitos pós modernos
Sua boca quando beija a taça
Dando um gole de vinho
Sua boca tinta
Lambendo dedos, colher, seio
Nada me chama tanto a atenção
Quanto a sua boca entre as minhas pernas