23 de abril de 2017

Platônico

Impensável, improvável, impossível feito flor no cimento
Que nasce no nível duma calçada com movimento

Não era um amor-perfeito
Era qualquer uma flor do mato

Mas tão rara quanto


6 de abril de 2017

Voltei

Fiquei um tempo em silêncio
Inclusive
Mas sem poesia
Ninguém sobrevive

Voltei
Para onde sempre estive

2 de abril de 2017

Metamorfogo

Toque singelo me risca a tez e faz fagulha
O juízo me censura se meu âmago clama
Inflama meu íntimo, d'onde o sangue lateja
Dos pés às têmporas em fervura
Ardo

Combustão me repele, me impele e me debulha
Em delírio mergulha e aviva a flama
Descama minha pele, me rasga o couro
Revela minha verdade com brandura
Fardo

Na nudez do que é onírico, uma mão de ternura
Já não sei se a lonjura é aventura ou drama
Holograma do eu lírico em transformação
Guardo a chama em ruptura
Tardo

E já não sou brasa a queimar
Sou som, sou cinzas, sou ar

Sou água a suar
A escoar
A eva p o r   a    r   .      .              .






25 de julho de 2016

Horizonte definido

Que falta faz a fonte pura
A visão sem neblina
O pensamento sem bruma
A tardança sem esquina
O coração de pluma
Com urgência pequenina
De realização alguma,
Entregue a doce sina.
Mas esse tempo estendido
Que sequestra o sono
Já terminou de ser cumprido
Logo acaba o outono,
Logo volta o colorido
Dos prazos sem dono
Do horizonte definido

Onde resta a minha cura

22 de setembro de 2011

Horizonte indefinido

Da escolha fez-se o flagelo
Dos feitos vieram as dores
Do silêncio fez-se a mordaça
Nos ponteiros, desamores
A presença fez-se escassa
As palavras, sem pudores
Feitas todas de fumaça
Se ocultaram sob as cores
E o desejo desmedido
Desfez tudo em estilhaços
O abraço foi partido
Vencido pelo cansaço
O sorriso foi banido
Até o credo ficou gasto
E no horizonte indefinido


Não restou nenhum farelo

5 de setembro de 2011

Ali vi ar

Quando sinto essa secura
Vem seus versos me molhar
Como chuva de ternura
Até o peito inundar

Eis que os olhos viram mar
Da água mais pura
Para a alma navegar

2 de setembro de 2011

Setembro na pele II

Os que lembram, felizes,
Com o coração agem
Com um pouco mais de coragem
[pois confiam:
Outros Setembros hão de vir

1 de setembro de 2011

Incômodo

Quem é o dono
Do abandono?

29 de julho de 2011

Enfim

Somos dois infinitos que se encontram para se findarem na infinitude deste sentimento.

27 de julho de 2011

Tudo feito, nada dito

Acontece que no plano do pensamento
Das frases não ditas
Das idéias represadas
Dos verbos imaculados
Não se ouve nada
Nem um suspiro

É o retrato do silêncio
De tudo que emana da sua cabeça
Para o mundo distraído
E se espalha pelo ar
Atravessa a minha pele
Entra por todas as frestas
Ecoa no meu corpo
- Não ouço, mas sinto